Por que muitos homens não gostam de ir ao médico?

Homens × saúde

formacao02Com a chegada do mês de outubro, vemos várias campanhas em torno da cor rosa; afinal, é Outubro Rosa, mês de falar da saúde da mulher. Não só do câncer de mama, mas da relação da mulher com sua saúde. Logo depois, somos lançados no azul, com a campanha Novembro Azul. Agora, já é hora de falar da relação dos homens com sua saúde. No entanto, esta campanha parece ser mais tímida (é mais recente que o Outubro Rosa), ainda está engatinhando em relação às ações concretas. Reflitamos:

Por que, para o homem, é tão “tensa” essa realidade de relacionar-se com sua saúde? Por que, para o homem, é algo demorado a ida ao médico? (Isso quando ele vai!). Poderíamos pensar em várias respostas ou tentativas de respondê-las, mas vamos refletir alguns pontos que podem nos ajudar a chegarmos a um possível consenso.

1º) Fomos criados para ser “fortes”

Desde pequenos, quando caíamos no chão, esfolávamos os joelhos ou arrebentávamos o dedão do pé, escutávamos: “Seja forte! Não chore. Não foi nada! Levante-se logo daí”. Não podíamos mostrar fraqueza, afinal, “homem não chora”. Isso, de certa forma, deixou marcas em nós e um desconforto ao assumirmos fragilidades. Logo, ir ao médico é, no mínimo, assumir que “não somos imortais”, que podemos estar “falhos” (doentes). Isso seria assumir as fraquezas. Então, deixe o médico para lá, pois “isso é para os fracos!”.

2º) Homem não sente dor

Nossa relação com a dor, na linha do 1º ponto, seguiu o mesmo caminho. Às vezes, sentíamos uma baita dor, mas, diante dos amigos e até dos pais, tínhamos de fazer aquela cara de “estou aguentando”. Dessa forma, assumir que o corpo padece é também tocar na fraqueza e questionar nossa masculinidade.

3º) Nosso tempo é precioso

Nosso tempo é precioso. Precisamos fazer, produzir e realizar algo a todo momento. O masculino traz em si o papel do “fazer” como um dos elementos estruturantes de si mesmo. Logo, ir ao médico é deixar de “fazer” (produzir, realizar), e não dá para perder horas na fila de espera, no consultório do médico ou naquele exame demorado, pois isso seria perda de tempo.

4º) Não somos de muita conversa

Marcar horário para conversar com alguém que mal conheço? Nem pensar! Se nem com minha esposa curto essa história de DR (discutir relação), imagine com um médico! Nós homens, na maioria dos casos, temos dificuldades para falar de nós mesmos. Qual a primeira pergunta que o médico faz: “ Como você está?”.

5º) Temos medo do desconhecido

Nós homens gostamos de ter controle sobre as variáveis da vida. Logo, não saber o que é essa ardência ao urinar ou a mancha aqui ou aquela dor ali é também ter de enfrentar o desconhecido. Queremos, ao máximo, deixar para depois. Fazer aquele exame e esperar o resultado pode ser angustiante. E se der um… (três pontinhos que angustiam qualquer homem)

Poderíamos ainda falar de várias outras hipóteses de resposta, como o medo que o homem traz de se mostrar, de ser invadido (colonoscopia, endoscopia, toque etc.) ou tocar em sua finitude. São questões que questionam a masculinidade de muitos homens.

Masculinidade

Precisamos nos apropriar de nossa masculinidade, não ter medo de a libertar desses clichês que aniquilam nossa essência masculina. Precisamos assumir que nossa fortaleza não está no fato de sempre sermos fortes e poderosos, mas na capacidade de reconhecer nossas fraquezas e limites, buscando enfrentá-los. Temos de assumir que nossa dor pode ser diminuída quando assimilada como nossa e como verdade de nós mesmos; quando fazemos muito, mas nossa eficiência está no transbordamento do nosso ser. Precisamos integrar nosso eu interior quando nos colocarmos em relação com o outro, buscando ali novas respostas. O desconhecido só amedronta, porque eu o desconheço. Quando o reconheço, encontro nele novas oportunidades de superá-lo.

Nesses novos tempos que estamos vivendo, é preciso que nós homens nos assumamos naquilo que somos, não tendo medo de nossas fraquezas, mas nos permitindo enfrentar, com coragem, nossos fantasmas mais escondidos. Nossa relação com a saúde não deve ser a de “intervenção” (quando já estamos doentes), mas sim de prevenção. Marcar consultas preventivas, exames que podem nos antecipar de grandes patologias tornam-se grandes ferramentas para o exercício de nossa masculinidade. Afinal, um grande homem sempre tem uma boa estratégia! E por que não uma estratégia de saúde?

Vamos marcar sua consulta médica!

Fonte: Artigo de Adriano Gonçalves | Missionário da Canção Nova

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