Mensagem de Fátima e da Divina Misericórdia – O que elas têm em comum?

Tanto a mensagem da Divina Misericórdia revelada à Santa Faustina como aquela transmitida por Nossa Senhora aos pastorinhos em Fátima podem ser consideradas os maiores dons do Céu para os tempos atuais. Ambas apontam para o mesmo caminho: o caminho da salvação que somente é trilhado pelas pessoas conscientes de seus pecados, pessoas de coração contrito, prontas para devolver a Deus o lugar privilegiado que a Ele pertence em suas vidas.

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Os devotos da Divina Misericórdia e os devotos de Nossa Senhora de Fátima caminham juntos, sem muitas vezes disso terem consciência. É surpreendente constatar que quando Deus estava preparando Santa Faustina para se tornar um “vaso escolhido de Sua misericórdia”, preparava o coração dela segundo o espírito da mensagem de Fátima, a respeito da qual ela não sabia absolutamente nada. Assim acontece às vezes: Nosso Senhor conduz uma pessoa por algum caminho por Ele escolhido que, contudo, já foi percorrido antes por algum santo, por exemplo, o caminho inaciano, o teresiano, ou segundo a mensagem de Fátima, e disso a pessoa nem chega a se dar conta. Ao final, basta que ela seja submissa às inspirações do Espírito Santo para consentir em ser conduzida pelo caminho que para ela Deus planejou. Então, nas mais profundas inclinações do seu coração estará vivendo, sem disso ter consciência, uma espiritualidade, transmitida por algum santo ou pelo próprio Céu.

O pedido de Santa Faustina segundo a mensagem de Fátima

De onde sabemos que Santa Faustina vivia a espiritualidade de Fátima? Eis que ela chama pelo nome aquilo que para a sua alma era o mais importante. Então, tornou possível identificar que os seus desejos espirituais coincidiam com os pedidos que, em Fátima, no ano de 1917, haviam sido feitos por Nossa Senhora. Do Diário de Santa Faustina sabemos que essa santa desejava muito a conversão da Rússia, o auxílio de Deus para o Santo Padre, o Papa, e a salvação para os pecadores empedernidos, ou seja, exatamente aquilo que constitui a essência da mensagem de Fátima. Em 1933, Santa Faustina pede a Jesus: “Jesus, meu Esposo amantíssimo, peço-vos para o triunfo da Igreja, especialmente na Rússia e na Espanha, a bênção para o Santo Padre Pio XI e todo o clero, a graça de conversão para os pecadores impenitentes” (Diário, 240).

Mas, afinal, por que Deus preparou essa futura mística na escola de Fátima? Por que a mensagem da Misericórdia é como que o reverso da mensagem do Imaculado Coração de Maria, da mensagem de Fátima. Pode-se dizer, sem medo de errar, que, sem a assimilação do conteúdo da mensagem de Fátima, a mensagem da Divina Misericórdia sofre a ameaça de ser considerada superficial, a ameaça de não ser compreendida e de ser instrumentalizada por falsas interpretações. Lembremo-nos que os apelos de Nossa Senhora consistem numa correção inequívoca daquela visão errada da mensagem comunicada à religiosa polonesa (que separa o culto da Misericórdia Divina de todo o contexto do Evangelho com o seu chamado à contrição e o aviso sobre a punição eterna). Todo aquele que toma nas mãos o Diário de Santa Faustina deveria ter conhecimento das palavras comunicadas pela Virgem Santíssima em 1917, recordando a necessidade de conversão e da reparação, ou seja, da oração de súplica por misericórdia!

Já o próprio modo da graça atuar na vida da Apóstola da Divina Misericórdia nos sugere que deve haver uma estreita ligação entre a mensagem da Divina Misericórdia e a de Fátima. E, de fato, essa relação se torna clara não só na espiritualidade, em geral, de ambas aparições, mas também em muitas declarações de Nossa Senhora em Fátima. A palavra “misericórdia” é como o refrão de Suas aparições.

A revelação da misericórdia de Deus precede a de Fátima

O tema da Misericórdia de Deus precede a própria mensagem de Fátima. Como sabemos, as seis aparições da Nossa Senhora aos pastorinhos foram precedidos pela aparição do Anjo, no ano de 1916. Essa aparição do Anjo teve como objetivo preparar o coração das crianças para que pudessem aceitar a mensagem da “Mulher vestida de branco”. O que impressiona é que o tema principal dessa mensagem do Anjo era a Misericórdia de Deus.

beatos-de-fatimaNa primeira aparição, em 1916, o Anjo ajoelhou-se, curvando o rosto até o chão. As crianças imitaram-no e repetiram com ele: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. [1]

Durante a segunda aparição, em 1926, o Anjo disse às três crianças:“Rezai, rezai muito. Os sagrados Corações de Jesus e Maria tem sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”.

E na terceira aparição, que no mesmo ano, o Anjo ensinou-lhes a oração: “Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

Os devotos da Misericórdia Divina imediatamente identificam nessa oração ensinada pelo Anjo aos pastorinhos de Fátima, as palavras do Terço da Divina Misericórdia, que Jesus ensinou à Irmã Faustina. Comparemos essa oração com as palavras que encontramos no Diário dessa santa: “Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e dos do mundo inteiro. Pela sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro” (D. 476).

Essa surpreendente semelhança assinala um comum denominador: as intenções da Divina Misericórdia para com a humanidade.

Em Fátima, a Virgem Maria revelou, em julho de 1917, o plano de misericórdia com o qual Deus quer salvar as almas dos pecadores antes de que, por causa dos próprios pecados, se lancem no inferno. O plano consiste em estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria. A participação nesse plano de salvação, repleto de misericórdia, estende-se a todos os fiéis que irão atender aos pedidos realizados por Nossa Senhora. Por meio dos pastorinhos, Ela nos solicita: orações, sacrifícios e atos de reparação. Também por isso, a Santíssima Virgem, incentivando as crianças a rezar o Rosário, recomendou que no final de cada mistério do terço também rezassem a jaculatória: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem”

Como o Anjo de Portugal havia dito um ano antes às três crianças (“Os Corações de Jesus e Maria tem sobre vós desígnios de misericórdia”): a misericórdia de Deus é um dom precioso que podemos receber por meio de Maria — a mais fiel discípula de Jesus — porque o amor misericordioso quer se revelar ao mundo por meio da consagração ao Seu Imaculado Coração.

Fonte: Portal da Misericórdia

Bogusław Bajor e Michał Wikieł
Texto extraído do livro Świadectwo Bożego Miłosierdzia (Testemunho da Divina Misericórdia)[2]
[1] FERREIRA Pedrosa, Francisco Marto. Santuário de Fátima, Portugal, 2009.
[2] Livro editado pelo Instituto Ks. Piotr Skarga em parceria com a Editora Diocesana. Impresso em Sandomierz, Kraków de 2013.
 

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