A Visitação de Maria, Medianeira das Graças

Conheça a relação entre a festa da Visitação da Virgem Maria e o título de Medianeira de Todas as Graças e o que significam para a nossa fé.

A Igreja Católica celebra, no dia 31 de Maio, a festa da Visitação da Santíssima Virgem Maria e, também neste dia, é celebrada com o título de Medianeira de Todas as Graças. Em 1247, a festa da Visitação estava indicada na lista das festas do Concílio de Le Mans, na França. São Boaventura a introduziu na Ordem Franciscana, de onde a festa passou para várias dioceses. Esta tornou-se universal em 1404, quando o Papa Bonifácio IX a generalizou para toda a Igreja, a fim de obter o socorro do Céu à Igreja desunida. Quanto à festa de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, foi instituída somente no século passado, pelo Papa Bento XV, no ano de 1921.

A Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel

A Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel

Dizemos que é feliz a família que é visitada por uma pessoa importante, um rei ou uma rainha, não só pela honra recebida, mas também pelas vantagens que espera receber. No entanto, muito mais feliz é a alma visitada pela Virgem Maria. Pois, essa bondosa Mãe não pode deixar de encher de bens e de graças tais almas bem-aventuradas. A casa de Obed foi abençoada a quando nela entrou a Arca da Aliança: “E o Senhor abençoou a casa dele” (1 Cr 13, 14). Porém, de muito maiores graças são enriquecidas aquelas pessoas que recebem a amorosa visita dessa Arca viva de Deus, que é a Santíssima Virgem.

Feliz é a casa onde entra a Mãe de Deus! A casa de João Batista experimentou esta abundância de graças. Bastou que a Virgem de Nazaré entrasse naquela casa para cumular a família toda de graças e bênçãos celestiais. É este o motivo da festa da Visitação ser também chamada de Nossa Senhora das Graças, ou Medianeira de Todas as Graças. Títulos merecidos, visto que a Virgem Maria é a tesoureira das graças divinas. Por isso, se desejamos receber graças, devemos recorrer a Maria. Mas, devemos recorrer a ela com a certeza de sermos atendidos.

Por meio da Santíssima Virgem recebemos as primícias da graça

A Santíssima Virgem ouviu do arcanjo São Gabriel que Isabel, sua prima, estava grávida de seis meses (cf. Lc 1, 36). Iluminada interiormente pelo Espírito Santo, Nossa Senhora conheceu que o Verbo de Deus humanado, e já feito seu Filho, queria começar a manifestar ao mundo as riquezas de sua misericórdia, a começar pela distribuição das primícias àquela família de Isabel. Por isso, a Virgem partiu apressadamente para as montanhas (cf. Lc 1, 39). Levantando-se da tranquilidade de sua contemplação, a que estava sempre aplicada a Virgem de Nazaré, e deixando a sua cara solidão, com grande pressa partiu para a casa de Isabel. Porque a caridade tudo suporta (cf. 1 Cor 1, 37) e não sabe sofrer demoras, a jovem Virgem Maria pôs-se a caminho, sem se atemorizar com os perigos e as fadigas da viagem.

A visita de Nossa Senhora não foi como as visitas dos mundanos, que na maioria das vezes se reduzem a cerimônias e falsas conversações. A visita de Maria levou àquela casa uma abundância de graças. Mal a Santíssima Virgem entrou e saudou seus habitantes, Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e João Batista, ainda no ventre de sua mãe, viu-se livre da culpa original e santificado. Por isso, o menino deu aquele sinal de júbilo, exultando no ventre de sua mãe (cf. Lc 1, 41). Isabel quis manifestar estas graças recebidas por meio de sua prima Maria, quando diz: “Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio” (Lc 1, 44). Em virtude desta saudação da Mãe do Senhor, o Batista recebeu a graça do Espírito Santo, que o santificou.

Deus continua a distribuir suas graças por meio de Nossa Senhora

Os primeiros frutos da redenção passaram pelas mãos da Virgem Maria. Ela foi o canal pelo qual foi comunicada a graça a João, o Espírito Santo a Isabel, o dom de profecia a Zacarias (cf. Lc 1, 39-44.67-79), e tantas outras bênçãos àquela casa. Estas foram as primeiras graças que sabemos terem sido concedidas na Terra pelo Verbo de Deus, depois que se encarnou. Desde então, é muito razoável crer que Deus constituiu a Santíssima Virgem como canal universal, pelo qual passam todas as outras graças que o Senhor quer nos dispensar.

Com razão, esta divina Mãe é chamada de tesouro, de tesoureira e de dispensadora das divinas mercês. A Virgem Santíssima é chamada de “cheia de graça” (Lc 1, 26) porque nela está oculto todo o tesouro das graças. Deus depositou em Maria, como num tesouro de misericórdia, todos os dons da graça e dessas riquezas são cumulados todos que O servem.

Maria Santíssima é comparável ao campo, no qual está escondido um tesouro, que devemos comprar por qualquer preço, como disse-nos Jesus Cristo (cf. Mt 13, 44). Esse campo é Maria, porque nela está escondido o tesouro de Deus, que é Jesus Cristo, a origem e fonte de todas as graças. “O Senhor depositou nas mãos de Maria todos os tesouros que nos quer dispensar, a fim de que saibamos que quanto bem recebemos, todo é das mãos de Maria”1. A esse respeito, são atribuídas a Nossa Senhora as palavras do livro do Eclesiástico: “Em mim está toda a graça do caminho e da verdade” (Eclo 24, 25). Isto é, em Maria estão todas as graças, todos os verdadeiros bens, que em nossas vidas podemos desejar.

Todos os tesouros das divinas misericórdias estão nas mãos da Virgem Maria. As graças que Deus designou dar a nós, determinou que fossem concedidas pelas mãos de Nossa Senhora, por isso confiou a ela todos os tesouros das graças. Desse modo, não há graça que não seja dispensada a nós pelas mãos de Maria.

Respondendo a pergunta da Santíssima Virgem, “o anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus” (Lc 1, 30). A respeito dessa passagem, Santo Alberto Magno diz:

Ó Maria, não roubaste a graça como a queria roubar Lúcifer: não a perdestes como a perdeu Adão: não comprastes como a queria comprar Simião, o mago. Achastes a graça, porque a desejastes e buscastes. Achastes a graça incriada, que é o próprio Deus feito vosso Filho. E juntamente com ele possuístes todos os bens criados2.

A excelsa Mãe de Deus encontrou essa graça para dar a salvação a todos os homens. A Virgem Maria recebeu uma graça plena, bastante para salvar a todos, destinada a cair como chuva sobre todas as criaturas. Deus criou o sol para iluminar a terra. De modo análogo, Senhor fez Maria para que, por seu intermédio, se dispensem ao mundo todas as divinas misericórdias. A Virgem de Nazaré, desde que se tornou Mãe do Redentor, adquiriu uma quase jurisdição sobre todas as graças. Deste modo, não as recebemos, a não ser pelas mãos desta amável Mãe.

Por que nós devemos nos dirigir a Virgem Maria? Se queremos obter alguma graça, recorramos a Nossa Senhora, que nunca deixou de alcançar o que pede por nós, pois achou e sempre acha a graça divina. Procuremos a graça e o façamos por meio de Maria, que a acha com certeza. Se desejamos receber graças, é necessário que recorramos a esta tesoureira e despenseira das graças, já que a vontade suprema do Doador de todo o bem é que todas as graças passem pelas mãos de Maria. Mas, para obtermos as graças, é indispensável a nossa confiança na Virgem Santíssima.

Maria Santíssima nos enriquece de graças

Jesus Cristo depositou nas mãos de sua Mãe todas as riquezas das misericórdias que conosco quer usar, para que ela enriqueça todos os seus devotos que a amam, honram e invocam cheios de confiança. Por isso, podemos atribuir a Nossa Senhora estas passagens: “Comigo estão a riqueza e a glória, os bens duráveis e a justiça. […] Deixo os meus haveres para os que me amam e acumulo seus tesouros” (Pr 8, 18.21). Estas riquezas se conservam em Maria unicamente para nossa utilidade. No seio da Virgem, o Salvador colocou o tesouro dos miseráveis, a fim de que dele tirassem e se enriquecessem os pobres. “Maria foi dada ao mundo como canal de misericórdia, para que através dele descessem continuamente as graças do céu aos homens”3.

O arcanjo São Gabriel, tendo achado a Mãe de Deus já cheia de graça, como a havia saudado (cf. Lc 1, 26), diz depois que sobre ela viria o Espírito Santo, para enchê-la de graça (cf. Lc 1, 35). Se Maria estava já plena da graça, o que mais podia trazer-lhe a vinda do Espírito Santo? São Bernardo responde, ensinando-nos que: “Maria, é verdade, já era cheia de graça, porém o Espírito Santo ainda mais a inundou e cumulou de graças, para bem nosso, a fim de que da sua superabundância fossemos providos, nós, miseráveis”4. Por essa razão, Maria é comparada à lua, da qual se diz que é cheia para si e para os outros.

À Santíssima Virgem são atribuídasas palavras desta promessa: “Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor” (Pr 8, 35). Bem-aventurado aquele que me acha, recorrendo a mim, diz nossa Mãe e Senhora. Nela, acharemos facilmente a vida. Pois, da mesma forma que é fácil tirar quanta água desejamos de uma fonte, assim também é fácil achar as graças e a salvação eterna, recorrendo a Maria. “Pedir graças a Nossa Senhora é o mesmo que as receber”5. Antes do nascimento da Virgem Santíssima, faltava no mundo esta abundância de graças. Faltavam as graças porque não existia ainda esse almejado canal de graças, que é a Mãe de Deus. Mas, agora que já possuímos esta Mãe de misericórdia, que graças podemos temer não alcançar, prostrando-nos a seus pés? A Virgem Maria é a cidade de refúgio para todos aqueles que a ela recorrem. Vamos a essa Cidade e obteremos dela as graças, em maior abundância do que imaginamos.

A venerável Irmã Villani viu, certa vez, a Mãe de Deus à semelhança de uma grande fonte, à qual muitos acorriam em busca de muita água de graças. Mas, o que acontecia depois? Aqueles que traziam os vasos intactos, conservavam as graças recebidas. Entretanto, os que traziam o vasos quebrados, isto é, as almas carregadas de pecados, recebiam as graças, porém rapidamente as perdiam. É certo que, por intervenção de Maria, obtemos, a cada dia, graças inumeráveis, ainda que sejamos ingratos e os mais miserá veis pecadores: “Por vós, ó Maria, recebem os miseráveis misericórdia, graça os ingratos, perdão os pecadores, dons sublimes os fracos, mercês dos céus os moradores da terra, a vida os mortais, a pátria os peregrinos”6.

Assista ou ouça programa do Padre Paulo Ricardo sobre “A Mãe do Salvador e a Nossa Vida Interior”:

Nossa Senhora é rica em misericórdia para conosco

Escravos, devotos e filhos de Maria, avivemos cada vez mais a nossa confiança, sempre que a ela recorremos, pedindo graças. Para tanto,lembremos sempre de dois grandes privilégios da Santíssima Virgem: o desejo de nos fazer o bem e o poder de conseguir do seu Filho Jesus Cristo tudo quanto Lhe pede. Quão vivo é o desejo da Mãe de Deus de ajudar a todos! Uma simples reflexão sobre o mistério da festa da Visitação seria o bastante para compreender a solicitude de Maria. Sua prima Isabel morava em Hebron, chamada por São Lucas de Judá (cf. Lc 1, 39), que hoje é chamada de Ain-Karim. De Nazaré, que fica no norte da Palestina, onde morava Virgem, até Hebron, que fica no sul, háuma distância de cerca de 150 quilômetros. Mas, tamanha distância e as dificuldades da viagem não impediram a Virgem Maria de pôr-se a caminho quase que imediatamente. Nossa Senhora foi impelida por aquela grande caridade, de que foi sempre cheio o seu terníssimo coração, para começar desde então o seu o seu ofício de dispensadora das graças.

A Virgem de Nazaré não foi visitar sua prima, diz Santo Ambrósio, para certificar-se de que era verdade o que lhe dissera o Anjo a respeito da gravidez de Isabel. Mas, “levantou-se e foi às pressas” (Lc 1, 39), exultando pelo desejo de socorrer aquela casa, apressando-se pela alegria que sentia de fazer o bem aos outros, toda aplicada àquela obra de caridade. Notemos que São João, o Evangelista, quando fala da ida de Maria à casa de Isabel, diz que ela foi com pressa. No entanto, ao falar de sua volta, já não faz menção de pressa: “Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa” (Lc 1, 56). Pois, o que forçava a Mãe de Deus a apressar-se ao ir visitar a casa de Zacarias era o desejo de fazer o bem àquela família, levar aos seus membros a plenitude de graças de que foi cumulada.

A sua Assunção aos Céus não diminuiu em Nossa Senhora este afeto de caridade para conosco. Ao contrário, sua caridade em relação a nós cresceu, porque agora ela conhece melhor as nossas necessidades e mais se compadece de nossas misérias. Maria deseja mais fazer-nos bem e cumular-nos de graças do que nós mesmos desejamos receber. Por isso, esse desejo de Maria de nos conceder graças abundantes a faz sentir-se ofendida por aqueles que não lhe pedem graças. Embora Nossa Senhora tenha gosto em enriquecer a todos, de preferência ela cumula de graças superabundantes a seus servos fiéis. Mas, quem acha a Virgem Maria, acha todo o bem. Cada um de nós pode achar esta Mãe, ainda que sejamos os pecadores mais miseráveis do mundo, pois ela é tão benigna que não repele quem a ela recorre. Tomás Kempis diz que Maria está tão desejosa de cumular-nos de graças, que nos convida a pedir a ela: “Convido todos a recorrer a mim […]; todos espero, todos desejo; jamais desprezo algum pecador, por indigno que seja, quando vem pedir-me auxílio”7. Quando nos voltamos para esta Mãe, encontramos ela sempre disposta a prestar-nos socorro e obter-nos qualquer graça de salvação eterna, com sua poderosa intercessão.

Maria Santíssima é rica em poder junto de Deus

Tudo que Nossa Senhora pede em nosso favor, ela certamente consegue de Deus. A este respeito, meditemos na grande virtude que tiveram as palavras da Virgem de Nazaré na visita a sua prima Isabel. Somente por sua saudação foi conferida a graça do Espírito Santo a Isabel, bem como a João, seu filho: “Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc, 1, 41).

As preces de Maria são um prazer para Jesus. Estas vencem o Senhor, e as graças que então nos dá, considera-as como concedidas mais à sua Mãe, do que a nós. Vencido pelos rogos de Maria, Cristo concede-nos seus favores. Jesus não pode deixar de ouvir Maria em tudo o que Lhe pede, porque quer honrar e obedecer sua verdadeira Mãe. Por isso, as preces da Virgem Maria têm certa autoridade sobre Jesus Cristo, de modo que esta Mãe obtém o perdão, ainda que aos maiores pecadores que a ela se recomendam. Um prova dessa autoridade temos no milagre das bodas de Caná. Nossa Senhora pediu a seu Filho o vinho que faltava e, ainda que o tempo para os milagres não tivesse chegado, o Senhor atendeu o pedido de sua Mãe e transformou a água em vinho de excelente qualidade(cf. Jo 2, 1-12).

Na Carta aos Hebreus, recebemos esse convite: “Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno” (Hb 4, 16). Para Santo Alberto Magno, esse trono de graça é a Santíssima Virgem. Sendo assim, se queremos receber graças, vamos a esse trono de graça que é Maria, com a esperança de ser ouvidos, pois temos uma intercessora cujas preces sempre são atendidas pelo seu Filho. Busquemos a graça, mas peçamos estas por meio da Virgem Santíssima, pois ela própria nos deu a certeza de ser atendidos: “O Espírito Santo encheu-me de toda a sua doçura e tornou-me tão cara a Deus, que quantos por meu intermédio pedem graças a Deus, todos certamente as obtém”8.

Por vezes, obtemos as graças mais depressa recorrendo a Maria, do que pedindo diretamente ao próprio Jesus Cristo. Isto acontece, não porque Ele deixe de ser a fonte e o Senhor de todas as graças, mas porque quando recorremos a Mãe de Deus e ela intercede por nós, as suas súplicas terão mais força do que as nossas preces, pois são pedidos de Sua mãe. Por isso, não nos apartemos jamais dos pés desta tesoureira de graças, dizendo-lhe sempre como São João Damasceno: “Ó Mãe de Deus, abri-nos as portas da vossa misericórdia, rogai sempre por nós, pois são vossas preces a salvação de todos os homens”9.

Quando recorremos a Nossa Senhora, o melhor será pedir-lhe que rogue por nós e nos obtenha aquelas graças que reconhece mais convenientes à nossa salvação. Este era o louvável costume do frei dominicano Reginaldo. Certa vez, estando enfermo, esse servo de Maria pediu-lhe a graça da saúde corporal. Nossa Senhora apareceu a ele, acompanhada de Santa Cecília e Santa Catarina e lhe disse: “Filho, que quer eu faça por ti?” O Frei, diante desta cortês oferta da Santíssima Virgem, ficou confuso e não sabia o que responder. Então, uma das santas o aconselhou: “Reginaldo, sabes o que deves fazer? Não peças coisa alguma, entrega-tetotalmente nas suas mãos, porque Maria saberá fazer-te uma graça melhor que aquela que tu sabes pedir”10. O enfermo assim fez e a Mãe de Deus obteve-lhe a graça da saúde.

As visitas aos santuários e igrejas consagradas a Virgem Maria

Se desejamos a feliz visita dessa Rainha do Céu, é necessário que a visitemos muitas vezes em seus santuários ou nas igrejas que lhe são consagradas. O seguinte exemplo nos mostrará como Nossa Senhora retribui com favores especiais as devotas visitas de seus servos:

Um fidalgo francês, chamado Ansaut de Déols, recebeu em combate uma flechada, da qual lhe ficou a ponta da flecha presa no osso do maxilar. Depois de 4 anos, tornando-se insuportáveis as dores e adoecendo Ansaut gravemente, queriam os médicos abrir novamente a ferida para retirar a ponta de ferro. O doente recomendou-se então a Nossa Senhora e lhe prometeu visitar todos os anos em seu afamado santuário, sito nas vizinhanças e lá oferecer-lhe um sacrifício, caso recuperasse a saúde. Mal pronunciara seu voto e já percebeu como o fero se desprendia da ferida, caindo-lhe para dentro da boca. No dia seguinte, apesar de doente, partiu em romaria para visitar a imagem milagrosa e cumprir o seu voto. Desde então sarou completamente11.

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório a Medianeira de Todas as Graças

Virgem Imaculada e bendita, vós sois a dispensadora universal de todas as graças, e como tal sois a esperança de todos e a minha esperança também. Dou sempre graças ao meu Senhor, que me fez conhecer-vos e compreender o meio de obter as graças e salvar-me. O meio sois vós, ó grande Mãe de Deus, porquanto sei que principalmente pelos merecimentos de Jesus e pela vossa intercessão, me hei de salvar. Ah! Minha Rainha! Vós noutro tempo vos destes tanta pressa em visitar e santificar em vossa visita a casa de Isabel. Visitai por quem sois, e visitai depressa a pobre casa da minha alma. Apressai-vos; vós sabeis melhor do que eu, quanto ela é pobre e enferma de muitos males, de afetos desordenados, de hábitos maus, e dos pecados cometidos: males pestíferos que a querem levar à morte eterna. Vós podeis curá-la de todas as enfermidades. Visitai-me, pois, durante a vida, e visitai-me especialmente na hora da morte, porque então me será ainda mais necessária a vossa assistência. Não pretendo, nem sou digno que me visiteis nesta terra com vossa presença visível, como tendes feito a tantos servos vossos, mas servos que não eram indignos e ingratos como eu. Contento-me de ver-vos depois no vossoReino do Céu, para aí vos amar e dar graças por quantos favores me tendes feito. Por enquanto, só vos peço que me visiteis com vossa misericórdia. Basta-me que rogueis por mim.

Rogai, pois, ó Maria, e recomendai-me a vosso Filho. Vós melhor do que eu conheceis as minhas misérias e necessidades. Que mais posso dizer-vos? Tende piedade de mim. Sou tão miserável e ignorante que nem sei conhecer e pedir as graças que mais necessárias me são. Mãe e Rainha minha dulcíssima, pedi por mim, e impetrai-me de vosso Filho as graças que sabeis mais convenientes e necessárias para minha alma. Nas vossas mãos todo me entrego, pedindo apenas à Divina Majestade que, pelos merecimentos de Jesus, meu Salvador, me conceda as graças que para mim solicitais. Vossas súplicas não conhecem repulsa: são súplicas de Mãe junto de um Filho que tanto vos ama, e se compraz em fazer quanto Lhe pedis, para assim vos honrar mais e mostrar-vos ao mesmo tempo o grande amor que vos tem. Senhora, façamos este contrato: a vós compete cuidar de minha salvação. Amém12.

Nossa Senhora da Visitação, Medianeira de Todas as Graças, rogai por nós!

Natalino Ueda, escravo inútil de Jesus por Maria.

Referências:

1 SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Glórias de Maria, p. 302.

2 Idem, p. 303.

3 Idem, p. 304.

4 Idem, p. 305.

5 Idem, ibidem.

6 Idem, p. 306.

7 Idem, p. 307-308.

8 Idem, p. 309.

9 Idem, ibidem.

10 Idem, p. 310.

11 Idem, ibidem.

12 Idem, p. 310-312.

Fonte: Blog Todo de Maria

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