As grandes epidemias da história

No mundo contemporâneo, nós vivemos uma situação, no mínimo, contraditória. A tecnologia e o conhecimento levaram o ser humano para fora do nosso planeta, permitindo a cura de várias doenças. Por outro lado, vêm causando também o surgimento de novas epidemias, que amedrontam a população de diversos países.

A utilização de alimentos geneticamente modificados, o uso intensivo dos agrotóxicos e a própria degradação do meio ambiente são alguns dos fatores que podem explicar o surgimento de epidemias como a do coronavírus, que avança rapidamente na China e preocupa o mundo.

A facilidade de transporte e locomoção do mundo moderno aumentam muito o risco de uma propagação bem maior da doença do que se fosse na antiguidade.

Os efeitos devastadores das epidemias não são, infelizmente, nenhuma novidade na história da humanidade, pois já no antigo Egito se registraram episódios mortais de doenças propagadas em larga escala.

Epidemias afetam a humanidade

Por volta de 3 mil anos antes de Cristo, o Egito, que era uma das maiores civilizações da antiguidade, sofreu com uma terrível epidemia de varíola, doença hoje felizmente controlada. A mesma doença, séculos mais tarde, atingiu também o Japão, no século VIII. Aqui entre nós, as epidemias causadas pelos europeus serviram como elemento de dominação das populações indígenas da América. No século XVI, por exemplo, os colonizadores espanhóis transmitiram a doença aos astecas, pois os indígenas não tinham anticorpos para lutar contra a doença.

No século V a.C., quando o mundo grego vivia uma guerra interna que colocava os atenienses contra os espartanos na Guerra do Peloponeso, como se não bastasse a habilidade militar de seus inimigos, os atenienses foram acometidos por uma misteriosa doença, conhecida como a “grande praga de Atenas”.

No mundo antigo destacamos ainda a malária como uma doença já conhecida até pelos romanos. Não sabendo a relação entre o mal e a picada do mosquito, falava-se que a malária era contraída em regiões impregnadas de “ar ruim”. Como medida preventiva, as regiões pantanosas eram aterradas. Atualmente, cerca de 250 milhões de pessoas ainda sofrem com essa terrível anomalia, sobretudo nos países menos desenvolvidos.

Na Idade Média, o movimento das Cruzadas provocou uma intensa movimentação da população, permitindo que a Europa fosse acometida por epidemias, sendo a lepra (hanseníase) uma das mais recorrentes.

Males dos tempos modernos

Dois séculos mais tarde, as péssimas condições de higiene das cidades, com a falta de saneamento básico e o pouco costume do banho ajudou a terrível Peste Negra a avançar. Esta peste que chegou a ser vista como “flagelo de Deus” acabou matando cerca de 25 milhões de pessoas em apenas três anos.

A falta de planejamento dos espaços urbanos, com o crescimento desordenado das cidades que passam a sofrer um inchaço a partir da Idade Moderna serviu para a contração de outras doenças ao longo do tempo. No século XIX, diversos centros urbanos da Ásia, da Europa e das Américas foram assolados por epidemias, sobretudo, sofrendo com os efeitos devastadores da cólera.

De modo semelhante, os efeitos da febre tifoide foram decisivos para que boa parte dos soldados dos exércitos de Napoleão Bonaparte morresse durante o mal planejado avanço dos franceses nas gélidas e miseráveis terras russas.

Quando chegamos ao século XX, os horrores da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) são relacionados com o poderio bélico dos países envolvidos no combate e também com as epidemias, que grassavam entre os soldados e a população civil. Neste período, a gripe espanhola matou cerca de 20 milhões de pessoas na Europa e também atingiu outras regiões, como o Brasil.

No fim do século XX, especialmente a partir da década de 1980, a AIDS se transformou em uma terrível epidemia, que hoje acumula um índice de milhões de infectados.

No Brasil, só para exemplificar, há o caso da cidade do Rio de janeiro, por exemplo, que também sofria constantemente com doenças infecciosas a muito custo debeladas. Aqui aparece a figura pública de Oswaldo Cruz e a luta de gerações para levar o saneamento a diversas regiões da cidade, proporcionando o fim de doenças e a qualidade de vida.

Fonte: a12.com

 

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