A inveja

Num certo dia, uma serpente começou a atormentar um vaga-lume que só vivia para piscar e piscar sua linda luz verde.

E o vaga-lume esquivava-se com verdadeiro pavor daquela ameaçadora forma de vida, e a serpente tenazmente continuava a persegui-lo. Escapava durante um dia e a serpente não abandonava a perseguição. E isso ocorreu por alguns dias…

No quinto dia, o vaga-lume parou cansado arfando muito e de repente falou à serpente:

– Quero saber uma coisa, senhora serpente…
– Na verdade, não dou nenhuma chance para ninguém, porém, como vou engolir você mesmo, pergunte…- disse a serpente dando um sorriso sarcástico.
– Faço parte da sua cadeia alimentar?
– Não…
– Te prejudiquei em alguma situação?
– Também não…
– Então, por que você quer me engolir?!
– Porque não consigo ver você brilhar!!!

A inveja é a tristeza de ver o outro feliz, de ver o outro agradecido. “A inveja é companheira daquele que não suporta o sucesso dos outros nem se conforma em ver alguém melhor do que ele mesmo.

A inveja foi um dos primeiros pecados da humanidade. O Livro do Gênesis nos relata que Caim matou seu irmão Abel por inveja. (Gn 4,8). De lá para os dias atuais, infelizmente, algo de semelhante tem acontecido.

Ainda outro relato bíblico para ilustrar a gravidade do pecado da inveja, vale recordar a inveja por parte do Rei Saul em relação a Davi. Depois que Davi venceu o gigante aterrorizante, Golias, todo o povo o aclamava e lhe tinha grande admiração. Diz o relato bíblico que o rei Saul ficou enciumado, a ponto de não mais suportar a presença de Davi. A situação chegou a tal ponto, que o rei procurava Davi para lhe tirar a vida (ISm 18,8;19,1).

O invejoso é infeliz e, além do mais, não gosta de ver a felicidade do outro. Santo Agostinho nos ajuda a entender a gravidade da inveja quando este diz: “Terrível mal da alma, vírus da mente e fulminante corrosivo do coração, é invejar os dons de Deus que o irmão possui, sentir-se desafortunado por causa da fortuna dos outros, atormentar-se com o êxito dos demais, cometer um crime no segredo do coração, entregando o espírito e os sentidos à tortura da ansiedade; destroçar-se com a própria fúria!”.

Percebamos algo de suma importância recordado por Santo Agostinho. Jamais podemos invejar o dom do outro recebido por Deus. Em vez disso, devemos no alegrar pelo dom do irmão. Devemos compreender que o dom que falta em nós é completado pelo dom que existe no outro. A inveja nunca edifica, pelo contrário, mata o que de melhor tem no outro.

A virtude da benevolência

Resta-nos perguntar: o que fazer para combater a inveja de nossa vida? Os padres da Igreja vão ensinar que a virtude oposta à inveja é a benevolência.

Concretamente, o que devemos fazer? “Quando o triste sentimento de inveja quiser se aninhar em nosso coração, é preciso, de imediato, ‘agir-contra’ isto é, reagir com benevolência, desejar o bem da pessoa invejada, fazer o bem a ela e falar bem dela”.

Dizia São Leão Magno que, “quando todos estivermos cheios de sentimentos de benevolência, o veneno da inveja há de desaparecer inteiramente”. O mesmo santo doutor e papa ensinava que ardem de inveja da perfeição dos outros; e, como os vícios desagradam as virtudes, armam-se de ódios contra aqueles cujos exemplos não seguem.
São João Crisóstomo, o grande patriarca e doutor da Igreja, chamado de “boca de ouro”, mostra bem o perigo da inveja para a vida cristã: “Nós nos combatemos mutuamente, e é a inveja que nos arma uns contra os outros. Se todos procurarem, por todos os meios, abalar o Corpo de Cristo, onde acabaremos? Nós estaremos enfraquecendo o Corpo de Cristo. Declaramos devoramos como feras. É acaso por meio de vós que quereis ver Deus glorificado? Pois bem, alegrai-vos com o progresso do vosso irmão e, imediatamente, Deus será glorificado por vós.”
Em suma, ficou claro que o pecado da inveja, se não for arrancado de nosso coração, pode levar a morte do irmão. Portanto, como nos ensinou os santos da Igreja, por meio da benevolência, arranquemos a inveja de nosso coração. Em vez da inveja, possamos cultivar, em nosso coração, a alegria pelo sucesso e pelo o dom dos outros.

Fonte: Adaptado de Professor Felipe Aquino
 

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