Nossa Senhora da Visitação

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à santa prima Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Antes ocorria em 02 de julho, data do regresso de Maria, uma semana depois do nascimento e do rito da imposição do nome de São João Batista.

A referência mais antiga da invocação de Nossa Senhora da Visitação pertence a Ordem franciscana, que assim a festejavam desde 1263, na Itália. Em 1441, o Papa Urbano VI instituiu esta festa, pois a Igreja do Ocidente necessitava da intercessão de Maria, para recuperar a paz e união do clero dividido pelo grande cisma.

A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera “vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus”. (Lc 1, 26, 37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador.

O encontro das duas Mães é a verdadeira explosão de salvação, de alegria e de louvor ao Criador. Foi desse encontro que resultou a oração da Ave Maria e o cântico do “Magnificat”, rezados e entoados por toda a cristandade aos longos destes mais de dois milênios.

Acompanhar a gestação de Isabel sem dúvida formou Maria para ser Mãe. Quem sabe ela não precisava assistir o parto de Isabel, para depois viver o seu parto, sozinha, na estrebaria, sem ninguém para ajudar? Com Isabel, Maria foi formada ainda mais para assumir sua missão. No propósito de Deus para as nossas vidas, há também um caminho de formação. Naquilo que ele nos confia, ele nos capacita. Isabel era uma anciã, cheia de sabedoria, esposa de um sacerdote, conhecia as leis, conhecia da vida! Eu imagino as conversas de Maria e Isabel nesses três meses em que estiveram juntas… quanta riqueza, quanto aprendizado, quanta partilha! Na espera, somos formados. Três meses de espera que talvez tenham sustentado, mais tarde, 33 anos de vida oculta, de espera pela revelação e pela vida pública de Jesus.

Desde 1412, Nossa Senhora da Visitação é festejada especialmente pelos italianos da Sicília, como a Padroeira da cidade da Enna. Os portugueses sempre a celebraram com muita pompa, porque rei D. Manuel I, o Venturoso, que governou entre 1495 e 1521, escolheu Nossa Senhora da Visitação a Padroeira da Casa de Misericórdia de Lisboa, e de todas as outras do reino.

Foi assim que este culto chegou ao Brasil Colônia, primeiro na Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, depois se disseminou por todo território brasileiro. Antigamente os fieis faziam uma enorme procissão até os Hospitais da Misericórdia para levar conforto aos enfermos e suas doações às instituições. Hoje, as paróquias enviam as doações recolhidas com antecedência, para as Pastorais dos enfermos, que atuam com os voluntários junto às Casas de Saúde mais deficitárias. Tudo para perpetuar a verdadeira caridade cristã, iniciada pela Mãe de Deus ao visitar a santa prima levando sua amizade e ajuda quando mais precisava.

Comenta São Francisco de Sales: “Na Encarnação Maria se humilha confessando-se a serva do Senhor… Porém, Maria não fica só na humilhação diante de Deus, pois sabe que a caridade e a humildade não são perfeitas se não passam de Deus ao próximo. Não é possível amar Deus que não vemos, se não amamos os homens que vemos. Esta parte realiza-se na Visitação.”

Que Nossa Senhora nos ajude a compreender que Deus gosta de se ocupar com aqueles que não se ocupam consigo mesmos. Que é necessário muitas vezes ir à missão, subir as montanhas em busca dos que sofrem deixando espaço para Deus fazer em nossas vidas. Que há muita riqueza no caminho da espera, tesouros que só encontram aqueles que se desafiam a viver com coragem um ato de fé! Que vale a pena largar nossos esquemas, nossas vontades, nosso jeito, para viver o “jeito de Deus”, para deixar Deus fazer por nós e para nós. Que ela nos ajude a reconhecer a nossa vida nos mistérios da sua própria vida. Amém!
 

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