A recente Consagração do Brasil ao Imaculado Coração foi válida? Sacerdote esclarece

Segundo o ACI (24/05/2019), após a assinatura da Consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria realizada no Palácio do Planalto, neste 21 de maio, que contou com a presença de Dom Fernando Arêas Rifan, ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e do presidente Jair Bolsonaro, começaram a surgir críticas ao ato presidencial na internet colocando em questão sua validez. Em entrevista a ACI Digital, o sacerdote Augusto Bezerra, conhecido pelo seu apostolado nas redes sociais, esclarece.

Na celebração, realizada no Salão Leste do Palácio do Planalto, o presidente assinou o ato de consagração do Brasil, que foi “um pedido da Frente Parlamentar Católica”, representada pelo Deputado Eros Biondini (PROS-MG). Na ocasião foi rezado um mistério do terço sob a presidência do Diácono Nelson Correa, da Comunidade Canção Nova seguida de um canto de consagração entoado por todos os presentes. Na verdade, como explicou o Padre Oscar Pilloni, quem ofereceu umas palavras sobre a devoção a Maria no Brasil e sua importância para vida dos brasileiros, nesta ocasião na verdade foi renovada a solene Consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria.

Segundo assinalaram os organizadores, consagrar o Brasil ao Imaculado Coração, seria uma forma de responder ao pedido feito por Nossa Senhora em Fátima, porém, segundo críticas de alguns internautas, o ato realizado em Brasília teria carecido de efeito pois não teria utilizado a fórmula já conhecida de consagração das nações ao Imaculado Coração de Maria, nem contou a presença de todo o colegiado bispos. Os fatos que foram esclarecidos pelo Padre Augusto em suas declarações a ACI Digital.

“Em primeiro lugar precisamos entender que a consagração a Nossa Senhora não se trata de um rito sacramental, no sentido de haver rubricas inamovíveis, fixas, que devem ser obedecidas com rigor ou do contrário a mesma seria inválida. Note-se que existiram várias formas de Consagração a Nossa Senhora na história da Igreja e existem formas diferentes em muitos lugares do mundo ainda hoje. Essas tradições vão se moldando segundo a devoção popular”, destacou.

O sacerdote da Arquidiocese do Rio, que se encontra em Roma para um período de estudos, destacou o conhecido método de consagração a Nossa Senhora proposto por São Luis Maria Grignon de Montfort, através do seu tratado “que é feito por muitos jovens pelo Brasil e pelo mundo afora” e que já é tradicional em muitos lugares e afirmou que é igualmente válida, a consagração “mais singela ou mais espontânea como aquela que se realiza depois do batismo de uma criança”.

“A Consagração das crianças após a celebração do sacramento do batismo é um bom exemplo. Os cantos ou as fórmulas podem variar de uma Igreja particular para a outra e ainda assim, todas são igualmente válidas”, ressaltou.

“É preciso mudar esta ideia de que existe uma única maneira rígida, litúrgica, para a consagração a Nossa Senhora até porque esta é uma “para-liturgia”, explicou.

“Por outro lado devemos considerar que este gesto do governo de introduzir a imagem de Nossa Senhora no Palácio do Planalto, é um gesto de temor a Deus em primeiro lugar, quando a gente muda de uma situação política onde Deus tem espaço na sociedade, os católicos devem colocar-se numa posição de júbilo, pois, até pouco tempo atrás, testemunhamos como Deus estava sendo proibido em alguns corredores públicos. Então quando começamos a ver o nome de Deus defendido, falado nesses corredores públicos, sem ser censurado, sem ser violentado, isto é um sinal positivo para nós”.

Padre Augusto também abordou os críticos da consagração dizendo que o Presidente Bolsonaro a teria realizado em busca de melhorar sua popularidade.

“Nós não estamos em grau de julgar isto. Em todo caso, se isto ocorreu, quem o julgará será Deus e não nós, pois não estamos em condições de ver os corações das pessoas. Entretanto, só o fato de ter o mínimo de temor e reverência pelo sagrado, pelo religioso, por aquilo que é sinal da fé. Isto já é uma coisa muito boa porque Deus tem espaço.

“Se um governo abre a porta para Deus, que bom! Então deixe Jesus entrar!”, disse Pe. Bezerra. “Não nos portemos como os fariseus que julgavam as supostas segundas intenções das pessoas ao redor de Jesus”, acrescentou.

“É muito feio ver cristãos e católicos criticando um simples gesto de fé como o que foi realizado em Brasília. Não devemos nos portar como os fariseus pois é assim que Jesus quer entrar neste governo, e em toda a sociedade, nas escolas, nas universidades, nas casas, nos ambientes de comunicação. Não importa quem esteja lá dentro e quais sejam as intenções destas pessoas, pois Jesus pode mudar o coração de qualquer um, até daqueles que têm segundas intenções”.

“Acredito que este é um passo para romper uma cultura de positivismo, de materialismo dentro sociedade, de laicismo, de guerra contra Deus e o sobrenatural para dar espaço àquele que é o sentido da cidade dos homens. Nós precisamos reverenciar a cidade de Deus, que é o paraíso, a eternidade, para que possamos fazer qualquer coisa similar aqui na Terra, mas para isso precisamos primeiramente ter temor a Deus e devoção àquilo é da fé”, gcompletou o sacerdote.

Padre Augusto lançou também um comentário em seu perfil de Facebook sobre o assunto, abordando outros aspectos e críticas surgidas ao ato de consagração do Brasil:

Fonte: acidigital.com

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