Edição genética de bebês é imoral: o caso das gêmeas chinesas

No último domingo (25), um pesquisador chinês diz ter ajudado a criar os primeiros bebês geneticamente editados no mundo, as gêmeas Lulu e Nana, que nasceram neste mês. O cientista He Jiankui, da Universidade de Shenzhen, anunciou, através de um vídeo no YouTube, o nascimento das duas meninas. A experiência utiliza a técnica CRISPR/Cas9,que permite a edição genética de um modo rápido e a baixo custo.

Observatório de Bioética do Regional Sul 3 da CNBB, que tem como referencial o bispo de Rio Grande, Dom Ricardo Hoepers, escreveu artigo analisando a experiência genética que gera controvérsias, tanto do ponto de vista da pesquisa científica, quanto da ética.

Segundo o Observatório, a experiência vem na “contramão de anos de estudo e consenso ético sobre a proteção dos participantes humanos em testes de pesquisa, já que os bebês resultantes desses testes estão sendo usados como cobaias genéticas”.

O texto alerta para problemas de saúde que possam vir a ocorrer com a edição genômica, ou seja, a modificação dos genes, por não se ter “o domínio completo e seguro desta técnica”.

Segundo a descrição do cientista no vídeo, foi realizada uma cirurgia genética cuja finalidade era proteger as meninas de infecção futura por HIV, uma vez que o pai das gêmeas é o portador do vírus HIV/AIDS. A cirurgia genética tinha por finalidade reproduzir uma variação genética que confere forte resistência à infecção inicial por HIV/AIDS. Hoje em dia, é sabido que algumas pessoas nascem com essa variação genética, chamada de CCR5, e são resistentes ao vírus, pois a alteração não permite que o HIV penetre na célula.

Para a Igreja o respeito à dignidade humana deve ser o limite no uso dessas tecnologias, “porque o ser humano é portador de dignidade moral, com fim em si mesmo, e não como meio para outra coisa”, assinala o artigo.

O documento Dignitas Personae (2008), da Congregação para a Doutrina da Fé, já expressava a visão do Magistério da Igreja sobre o assunto: “Qualquer modificação genética feita nas células germinais de um sujeito seria transmitida à sua eventual descendência. Porque os riscos ligados a qualquer manipulação genética são significativos e ainda pouco controláveis, no estado atual da investigação, não é moralmente admissível agir de modo que os potenciais danos derivantes se propaguem à descendência. Na hipótese da aplicação da terapia genética ao embrião, há ainda a acrescentar que a mesma precisa de ser realizada num contexto técnico de fecundação in vitro, indo, portanto, ao encontro de todas as objeções éticas relativas a tais práticas. Por estas razões, portanto, deve-se afirmar que, no estado atual, a terapia genética germinal, em todas as suas formas, é moralmente ilícita”, cita o documento no número 26.

Por fim, o Observatório atesta que a bioética se fundamenta em teorias morais que consideram a prudência e o discernimento. “Cabe à bioética apontar os limites da intervenção científica e técnica na vida biológica, vegetal, animal e humana, bem como contribuir para que a humanidade consiga desenvolver-se de forma digna, sem colocar em risco o patrimônio genético e a vida planetária. Se ambas conseguem estabelecer um diálogo respeitoso, mesmo com interesses distintos, possivelmente alcançaremos mais benefícios do que malefícios”, finaliza.

Para ler o texto completo acesse o site: http://observatoriodebioetica.ucpel.edu.br

Fonte: Observatório de Bioética/Sul 3.
 

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