Medalha Milagrosa: Conversão do Jovem Ratisbonne

Em 27 de novembro de 1830, Nossa Senhora apareceu a Santa Catarina Labouré, na Capela das filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, em Paris, e lhe pediu que mandasse cunhar e propagar a devoção à chamada “Medalha Milagrosa”, precisamente com esta inscrição: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de “Milagrosa”, pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.

Os primeiros milagres acontecem: Os enfermos que recebem as medalhas ficam curados. Por toda parte se podia ouvir. “A Medalha é Milagrosa” daí vem nome que leva até hoje. Mas o principal Milagre, foi a renovação da Fé nos corações das pessoas. As igrejas ficaram cheias, e houve uma grande renovação da Devoção Mariana.

A Notícia se espalhou pelo mundo inteiro. Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados. Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842:

Um jovem banqueiro, judeu, muito rico, chamado Afonso Ratisbonne, encontrava-se em Roma com amigo católico, Este lhe fez um desafio, já que não acredita em nada, que usasse a Medalha e rezasse um: Lembrai-vos, a conhecida oração composta por São Bernardo. Ratisbonne aceitou o desafio pela amizade e para provar que tudo não passava de apenas superstições. Ao visitarem uma igreja, o amigo pediu que esperasse enquanto ia a Sacristia. O Jovem banqueiro ficou olhando vagamente para a Igreja. De repente, Nossa Senhora, lhe apareceu com as mesmas características da Medalha Milagrosa. Ela nada disse, mas Afonso compreendeu tudo. Pediu o Batistmo, logo rompeu um promissor noivado. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne. No lugar da Aparição, foi erigido um Altar, em honra à Nossa Senhora do Milagre.

Essa espetacular conversão comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial, tornando ainda mais conhecida, procurada e venerada a Medalha Milagrosa. Entretanto, ninguém – nem a Superiora de Santa Catarina Labouré e nem mesmo o Papa – sabia quem era a religiosa escolhida por Nossa Senhora para canal de tantas graças. Ninguém… exceto seu diretor espiritual, o Padre Aladel, que envolvia tudo no anonimato.

Por humildade, Santa Catarina Labouré manteve durante toda a vida uma absoluta discrição, jamais deixando transparecer o celeste privilégio com que fora contemplada. Durante 46 anos de uma vida toda interior e escrupulosamente recolhida, Santa Catarina permaneceu fiel a seu anonimato. Miraculoso silêncio!
Seis meses antes de seu fim, impossibilitada de ver seu confessor, recebeu do Céu a autorização – quiçá a exigência – de revelar à sua Superiora quem era a freira honrada pela Santíssima Virgem por um ato de confiança sem igual.

Diante da idosa e já claudicante irmã, em relação à qual havia sido por vezes severa, a Superiora se ajoelhou e se humilhou. Tanta simplicidade na grandeza confundia sua soberba.

Santa Catarina faleceu docemente em 31 de dezembro de 1876, sendo enterrada três dias depois numa sepultura cavada na capela da rue du Bac. Passadas quase seis décadas, em 21 de março de 1933, seu corpo exumado apareceu incorrupto à vista dos assistentes. Um médico ergueu as pálpebras da santa e recuou, reprimindo a custo um grito de espanto: os magníficos olhos azuis que contemplaram a Santíssima Virgem pareciam ainda, após 56 anos de túmulo, palpitantes de vida.

A Igreja elevou Santa Catarina Labouré à honra dos altares em 27 de julho de 1947. Aos tesouros de graças e misericórdias espargidos pela Medalha Milagrosa em todo o mundo, iam se acrescentar doravante as benevolências e favores obtidos pela intercessão daquela que vivera na sombra, escondida com Jesus e Maria.

Hoje, qualquer fiel pode venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris. Antigamente ali, nas horas de oração e recolhimento, o balouçar das alvas coifas das religiosas ajoelhadas em fileiras diante do altar, lembrava um disciplinado vôo de pombos brancos…

» Testemunho de Conversão do jovem Ratisbonne (1842)

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