Como saber o que Deus espera de mim?

Existia na cidade um ferreiro que depois de uma juventude cheia de erros, de farras, até de roubos, encontrou Deus e mudou de vida, não quis mais fazer coisas erradas. Durante muitos anos trabalhou com capricho, praticou a caridade, ajudou muita gente, mas apesar de tudo isso parecia que nada dava certo na sua vida. Estava com muitas dívidas e outros problemas na sua família.

Uma bela tarde, um amigo que o visitara e que se compadecia de sua situação difícil comentou:

– É José… realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, você vê que nada tem melhorado pra você.

O ferreiro não respondeu. Ele já havia pensado nisso, sem entender o que acontecia em sua vida. Até que encontrou a resposta. E disse para o amigo sem fé em Deus:

– Meu amigo! Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isto é feito?

Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente.

– O ferreiro fez uma longa pausa, e continuou:

– As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria.

– Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:

– Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é:

“Meu Deus, não desista de mim, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser. Mas, jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas”.

Para Refletir

Diga comigo esta oração: Faça-se em mim segundo a tua vontade (Lc 1, 38).

Essa oração, para quem não quer ser moldado é a frase mais difícil de viver.  Fazer a vontade de Deus quando ela está de acordo com a nossa é fácil, quero ver quando Ele pedir algo que não queiramos fazer.  Existem situações na minha vida que nem mesmo sei o que é melhor, então falo para Deus:

– “Tu sabes o que é melhor para mim”. E vou embora.

Meus queridos, devemos ser como barros nas mãos do oleiro: ser facilmente moldados de acordo com a conformidade da vontade de Deus.

Leia: Jeremias (18, 1-12)

Palavra do SENHOR a Jeremias: Vem, desce até a casa do oleiro, que ali te farei ouvir a minha palavra. Desci até a casa do oleiro e lá estava ele executando um trabalho na roda. O objeto que fazia de barro se estragou na mão do oleiro. Ele fez um outro objeto conforme lhe pareceu mais conveniente. Foi então que veio a mim a palavra do SENHOR: Será que não posso agir convosco, casa de Israel, da forma como fez esse oleiro? oráculo do SENHOR. Pois como o barro na mão do oleiro, assim estais vós em minha mão, casa de Israel (Jr 18, 1-12).

Devemos ser dóceis a voz de Deus e às ações d’Ele na nossa vida, pois, só Ele conhece o dia de amanhã, e sabe o que, de fato, nós precisamos.

Deus sabe, melhor do que nós mesmos, o que realmente precisamos e que nos fará felizes. Ele nos convida ao abandono total em Seus cuidados, os quais sempre nos proporcionam o melhor, mesmo quando não compreendemos.

Deus enxerga muito além das nossas capacidades

Deus vê além, Ele contempla as surpresas que, ao futuro, pertencem. E, na Sua providência, cuida de nós, moldando-nos como um Oleiro, ora retirando de nosso caminho o que nos será prejudicial, ora acrescentado aquilo que nos falta.

O Senhor sabe retirar nossos excessos na hora certa, sabe o que nos fará crescer (e, crescer, às vezes dói). É preciso que saibamos perder sem apegos, para que Deus nos despoje do que não é essencial.

Só quem aceita (sabe) perder poderá ganhar

Não existe arte sem amor; quadro sem pintor; vaso sem oleiro. A obra mais bela é aquela tecida pelas mãos do artista, do oleiro que tem em Seu coração os belos sonhos e esses retirarão um rude barro de sua “não-existência”. O barro não pode moldar a si mesmo, para vir a ser algo ele precisa se confiar aos sonhos e à sensibilidade do oleiro. As mãos desse, comportam a medida certa entre firmeza e delicadeza, para trabalhar essa substância e transformá-la em uma linda obra de arte.

Não existe parto sem dor; maturidade sem perdas; felicidade sem se ater ao essencial. É necessário confiar n’Aquele que nos molda, mesmo quando a firmeza de Suas mãos parecer pesar fortemente sobre nós. Confiemo-nos ao amor e à criatividade do Oleiro Divino, que nos ama e sempre realiza em nós o melhor.

A felicidade faz morada em nosso coração conforme nos assumimos como aquilo que somos: “Barro, apenas barro, nas mãos do Oleiro!”

Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, amor e sobriedade” (2Tm 1,6).

O Senhor te abençoe!

» Adaptando com artigo de Padre Adriano Zandoná
 


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