Transplante de Coração: “Vou deixar Jesus escolher a pessoa que vai doar o coração para mim”

Adaptado de Padre Agnaldo José | Revista Ave Maria

Estive em Porto Velho, capital de Rondônia, assessorando um curso de Comunicação na Liturgia, em três paróquias.

Foram mementos de muita alegria, de convivência com os padres e o povo de Deus. Além das aulas teóricas, eram, também, realizadas dinâmicas de grupo. E foi uma pequena história, narrada por uma mulher humilde, de chinelos nos pés e lenço na cabeça, que marcou minha viagem:

A história do padre que precisava de um transplante de coração.

Um padre jovem, de uma pequena paróquia do interior, estava muito doente. Ele corria risco de morte se não conseguisse um transplante de coração, com urgência. Estava na fila para receber uma doação, mas não poderia mais esperar. Então, teve uma ideia: falar na missa sobre sua situação. Quem sabe alguém pudesse fazer esse gesto sublime de amor. Assim, ele fez ao final de uma celebração. Todas as pessoas levantaram as mãos. Ele não esperava tamanha generosidade. Que fazer?

Havia, sobre o altar, uma pequena pena de pássaro que havia caído da Cúpula da igreja. Com cuidado, o padre segurou-a em suas mãos, aproximou-se do povo e disse: “Vou deixar Jesus escolher a pessoa que vai doar o coração para mim. Soprarei essa pena para o alto. A pessoa mais próxima de onde ela cair sera a escolhida”.

A pena saiu das mãos do padre e começou a voar pela igreja. Quando se aproximava de alguém, recebia um sopro ainda mais forte. As pessoas queriam a pena bem longe de si. Ela então voou… voou… até cair no colo de uma mulher, sentada no último banco. Ouve um alvoroço. Todos se levantaram e olharam para o fundo da igreja. Ninguém a conhecia!

Um rapaz, que estava ao seu lado, admirado, perguntou: ‘A senhora vai doar seu coração para o padre? Tem coragem mesmo de fazer isso?’ A mulher sorriu, segurando a pena, carinhosamente:

“Sim. Eu sou a mãe dele. Ele é meu único filho. Isso não é nada diante do que fez Jesus. Muito mais fez Nosso Senhor, ao entregar sua Vida, na cruz, por amor a nos’”.

Quando terminou a história, muitas pessoas choraram. Também, eu!
Lembrei-me, naquela hora, de um dos santos que admiro: Santa Gianna Beretta.

Em setembro de 1961, no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião que salve a vida que traz em seu seio e, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho, sempre a favor da vida.

Vida e Testemunho

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: “Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei – e isto o exijo – a criança. Salvai-a”.

Na manhã de 21 de abril de 1962 nasce Joana Manuela. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória “Jesus eu te amo, eu te amo”, morre santamente. Ela tinha 39 anos.

Seu funeral transformou-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração.

Sera que teríamos coragem de entregar a Vida por amor a alguém?

Talvez não consigamos imitar Santa Gianna, nem mesmo a mãe do padre da história que ouvi em Porto Velho. Todavia, podemos doar nosso coração através de pequenos gestos de amor, solidariedade e fraternidade aqueles que mais sofrem ao nosso redor.

Muitos oferecem seus membros para destruir os outros e a si próprio.

As nossas mãos não podem ser instrumentos para o roubo, para matar ou para machucar; porém para louvar o Senhor e tocar naquilo que é santo.

Os nossos olhos não podem ser instrumentos de cobiça e pecado, mas para serem fixados no Senhor e olhar os outros com pureza; nossas pernas não podem ser usadas para nos levar para longe de Deus e sim, para perto do Senhor; a nossa boca precisa ser usada para receber o corpo de Cristo, cantar e falar os louvores do Senhor, palavras puras e benção; mas não para falar coisas impuras, como palavrões, piadas, maldições, etc.

Peçamos a Jesus a graça de amar como ele nos ama.


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O “Momento de Reflexão” você ouve de Segunda a Sexta-feira às 18:45 no programa Vozes da Paz pela rádio São José FM em 96,9, Deus abençoe.

 

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