O Natal de Santa Terezinha

O pai de Santa Teresinha tinha um relojoaria e a mãe uma fabrica artesanal de renda. Os comerciantes abriam as lojas aos domingos, principalmente com a proximidade das festas, queriam atrair os fregueses do interior que vinham passear na cidade e aproveitavam para comprar mantimentos. De vez em quando, batia um freguês querendo comprar uma aliança de casamento ou um presente para alguém. Mas seu Louis respondia a todos sorrindo: “É o dia do Senhor , só o senhor será servido”. Dizia aos amigos que o criticavam: “Prefiro perder boas oportunidades de negócios, mas atrair sobre a minha família a bênção de Deus.”

Quando menina, santa teresinha passou por muitas perdas: a mãe morreu quando tinha 4 anos e suas irmãs mais velhas, uma a uma foram se dedicando à vida contemplativa no Carmelo de Lisiux; Isso abalou sua saúde emocional, que sofreu uma espécie de síndrome de pânico, curada por Nossa Senhora das Graças, que lhe sorriu, quando tinha 9 anos de Idade.

Mas a doença deixou sequelas: uma sensibilidade exagerada. Teresinha dizia: “Eu chorava por ter chorado”. E assim foi até o Natal de 1886…. Teresa, sua irmã Celina e o pai, seu Louis, voltaram da Missa de madrugada. Era costume, todos os anos os pais depositarem presentinhos nos sapatos das crianças.

Seu Louis, que estava cansado e com sono, olhou para os sapatos de Teresa na lareira e falou desanimado:“Ainda bem que este é o último ano.” – Teresinha já tinha 13 anos e não era mais criança. Celina pensou : “Meu Deus , ela vai virar uma cachoeira de lágrimas… – Mas Teresa recebeu uma graça de Natal… O que aconteceu, foi que Teresinha pensou mais no pai que em si, viu que ele estava cansado e o compreendeu. Teresa escreveu: “Jesus fez um minuto aquilo que eu tinha lutado 10 anos para conseguir, devolveu a força da minha alma que perdi aos 4 anos com a morte da mamãe . De repente meu coração ficou cheio de vontade de me esquecer de mim mesma para pensar nos outros. Sarei da choradeira e já era mais uma menina, mas uma moça crescida. A partir desse dia, a alegria nunca mais a deixou, tanto que, no convento, uma outra freira comentou: “O que acontece com essa irmã teresa que por nada deixa esse ar de riso que tem nos lábios…” Teresa escreveu: Naquela linda noite de natal começou o tempo mais bonito da minha vida e o mais cheio das graças do Céu.”

Com a morte da mãe de Teresa, Zélia Martin o seu Louís mudou para uma cidade chamada Lisieux e alugou uma casa com um lindo jardim num bairro distante, onde pudesse criar suas 4 filhas longe das modas da cidade, pois na França surgiam ideias muito longe das coisas de Deus. Comprou material de pintura, livros, brinquedos e um piano para que as meninas se divertissem, mas não as deixava sair em bailes. Teresa escreveu: Papai aposentou-se para ficar mais tempo com suas meninas e dedicar-se á nossa educação. Quis ser para nós, suas filhas, pai e mãe ao mesmo tempo . Por isso, para alegria, estava sempre perto de nós.”

As noites, jogavam uma partidinha de damas, depois as irmãs mais velhas liam algumas páginas de algum livro interessante com histórias e aventuras, como a vida dos santos. Teresa ouvia sentada nos joelhos do pai. Depois da leitura, ele cantava com sua linda voz algumas músicas lentinhas e todas iam dormir muito tranquilas.

Um dia disse às filhas: “Que tal fazer uma visita para Jesus no Sacrário cada dia em uma Igreja diferente?

E lá iam eles. No final do passeio, o pai acabava sempre me dando um presentinho de um centavo ou dois para gastarem em doces.

Foi assim que Teresa conheceu o Carmelo. Seu Luís disse: “Sabe, minha rainhazinha, por detrás dessa majestosa grande, habitam umas santas religiosas que estão a orar ao Papai do Céu”.

Desde então, cada vez que ia pescar, seu Luís levava os peixes para as irmãs do Carmelo, mal sabia ele que 3 de suas filhas viveriam lá um dia.

Um pedido especial.

A coisa mais difícil para Teresa, foi dizer ao pai que pretendia entrar no Carmelo com 15 anos. Escolheu um fim de tarde em que ele estava no jardim com o Tom, o cachorro de Teresa. Ele perguntou: “O que você tem, minha rainha? Conte-me.”

Teresa falou, já com lagrimas no olhos :“Papai , quero muito ingressar no Carmelo, sinto que está na hora.”

O pai pegou umas florzinhas brancas de um matinho que pareciam lírios em miniaturas. Colheu um e entregou à Teresa: “Veja, minha rainha , o cuidado com Deus conservou essa florzinha até agora…

Santa Teresinha escreveu: “Entendi que o papai estava falando de mim. Ele arrancou a flor com as raízes para que vivesse ainda, mas em outra terra mais fértil.”

Por causa desses dia, Teresa passou a se comparar com uma flor e a falar muito de flores. Foi o pai quem começou essa história.

Seu pai vai conversar com o Bispo. Era preciso esperar aos 21 anos de idade. Mas a decisão e a determinação de Santa Teresinha a levaram até o Papa, na época, Leão XIII. No fim de tudo, ela consegue a autorização: entra no Carmelo com 15 anos. Teresinha, que toma o nome de Irmã Teresa do Menino Jesus da Sagrada Face será uma irmã como as outras. Poucas companheiras percebiam que ela era especial. Na monotonia do Carmelo, no serviço cotidiano, ela vai se aperfeiçoando. Nutre-se da doutrina de Santa Teresa de Jesus e de São João da Cruz, mestres espirituais do Carmelo. Em 1894, ano da morte de seu pai, ela descobre a “pequena via”.

A “pequena via” é um caminho que pode ser seguido por todos, pois é um caminho de simplicidade que não exige êxtases e nem penitências extraordinárias, mas somente a sabedoria de revestir de amor todas as atividades da nossa vida, até mesmo as mais ordinárias”. Viver tudo com amor, principalmente as pequenas coisas.

Ela nos ensina, com isso, a viver a “Infância Espiritual”, a sermos crianças para atrairmos o olhar de Deus. E isso nos faz viver a pequenez – ser pequeno, viver o escondimento combate o nosso orgulho e agrada o coração de Deus. “Sou o que Deus pensa de mim!

Santa Terezinha morreu no dia 30 de setembro de 1897. Suas últimas palavras foram: “Meu Deus eu vos amo!” As irmãs rezam o Credo. A cabeça dela se mexe, ela sorri. Entra um passarinho em sua cela, que voa sobre o seu leito e sai. Ela morre. Entrou na vida!

Santa Teresinha foi para o Céu aos 24 anos em 1897, e foi canonizada por Pio XI e proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II em 1997.

Quando Teresinha estava quase indo para o Céu, disse a sua irmã: “Lá do Céu, farei chover uma chuva de rosas!

Ela quis dizer que ia pedir muito a Jesus que atendesse os pedidos que seus amigos fizessem aqui na terra. Aí um padre teve a ideia da Novena das Rosas à santa Teresinha e ela sempre dá um jeitinho da pessoa ganhar uma rosa durante a novena, pra saber que é da vontade de Jesus atender a oração.

A caridade deu-me a chave da minha vocação. Compreendi que, se a Igreja tinha corpo, composto de vários membros, não lhe faltava o mais necessário, o mais nobre de todos. Compreendi que a Igreja tinha coração, e que o coração era ardente de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja atuarem e que, se o amor extinguisse, os Apóstolos já não anunciariam o Evangelho e os mártires se recusariam a derramar seu sangue…Compreendi que o amor abrange todas as vocações, alcançando todos os tempos e todos os lugares…Numa palavra, é eterno…

– Então no transporte de minha delirante alegria, pus-me a exclamar: Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: MINHA VOCAÇÃO É O AMOR. Sim, atinei meu lugar na Igreja, e tal lugar, ó meu Deus, fostes vós que me destes… No coração da Igreja, minha mãe, serei o amor… Assim serei tudo… Assim se realizará meu sonho!!!

(Santa Teresinha do Menino Jesus)


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O “Momento de Reflexão” você ouve de Segunda a Sexta-feira às 18:45 no programa Vozes da Paz pela rádio São José FM – 96.9. Deus abençoe.

 

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