Estojo de Maquiagem

Por Padre Agnaldo José

“Em Jesus Cristo brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entrístece, a promessa da imortalidade consola.
Senhor para os que creem em vós, a vida nâo é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo ímperecível” (Missa de Finados – prefácio – “A esperança da ressurreição de Crísto”).

 
Muitas pessoas perdem o brilho do olhar e deixam de sorrir quando passam por uma situação de morte na familia. Isso é compreensível. No entanto, um coraçâo fixado na dor da perda torna-se incapaz de perceber a presença consoladora de Jesus: Caminho, Verdade e Vida.

Um dia, fui a um velório fazer oraçóes para um idoso que havia morrido. Proclamei o Evangelho no qual Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (]oão 11,25). Cantei: “O Senhor é minha luz e minha salvação” (Salmos 26,1) e consolei a famílía que chorava.

Quando estava saindo, um agente funerário me chamouz “Padre, há outro corpo para o senhor benzer. É uma mulher. Ela está na sala de preparação. É indigente, por isso não vai ser colocada na sala para ser velada. Daqui vamos levá-la ao cemitério”.

Acompanhei-o. O cheiro forte dos crisântemos amarelos penetrou em minhas narinas. Mosquitos voavam, vagarosamente ao redor do caixão. O rapaz segurava um estojo
de maquiagem. Ele estava terminando de “embelezar” a mulher. Ele me perguntou: “Padre, a maquiagem está boa?” Silenciei. Aquilo era estranho para mim.

Perguntei: “Você faz isso em todas as mulheres?”

O rapaz colocou o estojo sobre uma mesinha ao lado e pegou uma escova para pentear os cabelos da mulher.

“Só não faço se a família não quiser”.

Perguntei por que ele estava passando aqueles produtos se ela seria enterrada sem a família.

“Acostumei a fazer isso, padre. Não custa deixá-la com uma aparência melhor, não é mesmo?”

Rezei com fé, pedindo miserícórdia. Aspergi-a com a água benta e cantei, baíxinho, uma linda canção da Igreja em homenagem a ela.

“Deus enviou seu Filho amado para morrer no meu lugar. Na cruz, pagou os meus pecados, mas o sepulcro vazio está, porquc ele vive!”

Se a família da terra náo estava presente, ela podia contar com dois irmãos na fé – o rapaz e eu.

Em Novembro, a Igreja celebra a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte e reaviva a chama da esperança. Ela agradece ao Senhor e Intercede por aquelas pessoas queridas que partiram para a Vida Eterna.

Hoje, a morte está sendo maquiada. Muitas pessoas fogem dela, náo ouVem a Boa-Nova que ]esus veio trazer. Aquele rapaz da funerária, com todo respeito e carínho, usa os produtos de beleza para deixar o corpo dos falecidos com uma aparência melhor. Jesus é mais que que um maquiador. Ele é o Salvador. Ele não esconde a fragilidade da morte com produtos de beleza, mas transforma aquele corpo perecível num corpo imperecível.

A morte, para o cristão, não é “Fim-Fim”, mas “Fim–plenitude”. É um novo nascimento. Como escreveu São Paulo aos Coríntios. “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima.” (1Cor 15,19).

» Padre Agnaldo José – Sacerdote, jornalista e mestre em Comunicação.
» Fonte – Revista Ave Maria
 


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